Capítulo 8 - Sonho
Acordei sobressaltada, quando já era de noite. Tinha tido um sonho bastante estranho com Leonard. Imaginei que bebia realmente do seu sangue; ainda agora a sensação de prazer me preenchia. Não era a sensação normal que tinha ao beber sangue, era algo muito além disso. Era a necessidade do seu amor, …
- Oh! – Exclamei, totalmente alerta.
Era a sensação que Sadie me tinha descrito como beber o sangue de um parceiro. Eu ainda estava admirada, mas, como sempre, aliviei a tensão, mesmo estando sozinha.
- Bem, devo ter a imaginação mesmo fértil – disse, rindo-me depois.
Alguém abriu a porta sorrateiramente, e admirei-me por ver David a espreitar.
- Posso entender a piada? – Perguntou, sorrindo-me.
- Não é nada, eu é que tenho sonhos engraçados – respondi, rapidamente. – Entra, não tenhas medo, se bem que pelo que te fiz hoje, sou uma razão para ter medo, mas…
- Está caladinha, por favor – disse ele, entrando. – Vim aqui para discutir outras coisas.
- Como por exemplo?
- Brandie – respondeu-me, timidamente.
Uma passagem rápida pelo seu pensamento actual disse-me tudo o que precisava de saber.
- Oh, meu deus! Não acredito! – Disse-lhe, um pouco chocada.
- Desculpa, mas não me consegui impedir…
- Eu sabia. Soube-o desde o inicio… - continuei, até que aquilo que ele disse atingiu o meu cérebro, e me fez rir. David olhava-me como se eu fosse maluca. – Hey, Dave, eu não estou com ciúmes, ok? Na verdade, até estou muito feliz que tenha acontecido. Mas dá-me pormenores, só vi mesmo o essencial.
- Bem, foi no caminho. Ela não reparou que, literalmente, estava a voar ao nosso lado, e então, a Jenny puxou-a pelo braço para a parar, no entanto, sem querer, cortou-a. E foi aí. Foi mais forte que eu; não consegui impedir-me, e então, bebi o seu sangue. Foi tão intenso, e aí, a ligação completou-se. E pronto, eu e a Brandie somos parceiros – culminou David, sorrindo.
- Olha, não que não esteja feliz de teres vindo contar-me, mas, porque não veio a Brandie? Pensei que ela me considerasse uma grande amiga… - Disse-lhe.
- Pois, ela teve medo que te chateasses com ela, então eu prometi-lhe que viria contar-te, ao invés dela.
- Podes chamá-la aqui, por favor, David, meu irmão? – Pedi-lhe, sorrindo.
Uma lágrima escapou do canto do olho de David, e ele foi embora, para chamar Brandie. Nesse curto espaço de tempo, pus uma expressão um pouco enervada, e soube no momento em que Brandie entrou, que a lágrima de David tinha-se transformado em choro, e que me iria ajudar na minha pequena actuação.
- Já soube do que se passa – disse-lhe com uma voz fria.
- Lily, tu sabes que nós não queríamos mesmo magoar-te, nem nada do género, mas tipo, foi impulsivo. Aconteceu – desculpou-se Brandie.
- Aconteceu?! É assim que vês?! – Respondi-lhe, como se estivesse muito zangada com ela.
- Desculpa, Lil. – Disse-me, chorando. Levantei-me e pus as mãos nos seus ombros.
- Hey, B, estava a brincar, não queria que ficasses assim. Estou muito feliz por vocês, acredita – disse-lhe, abraçando-a.
- A sério? – Perguntou-me, entre soluços.
- Sim, minha querida. Descansa. Tudo está certo. Calma.
Ficámos abraçadas durante algum tempo, até Brandie deixar de chorar.
- Sabes, és a minha melhor amiga – disse ela, sorrindo-me; tal felicidade preencheu-me de tal maneira que deu-me vontade de chorar.
- Miúda, tu também! – Respondi, entre lágrimas e um grande sorriso.
Ficámos a chorar e a conversar pela noite fora, sem que David se atrevesse a interromper-nos. Ele sabia que, provavelmente, seria empurrado porta fora, e trancaríamos a porta na sua cara, ou, em caso extremo, fugiríamos.
Já era de manhã quando David veio chamar-nos.
Knock Knock.
- Meninas, escola! – Gritou David do lado de fora.
- Vai lá, B, não vais faltar por minha culpa. Eu fico bem – disse eu a Brandie.
- Oh, volta para a escola Lily, por favor – implorou-me.
- Não posso – respondi, acenando lentamente com a cabeça. – Fiz muita borrada ontem, nunca mais lá volto. Perdoa-me.
Derrotada, Brandie levantou-se do chão do meu quarto, puxando-me com ela para um último abraço antes de ir para a escola.
- Se alguém perguntar por ti, o que digo?
- Respondes educadamente que me retirei do ensino secundário até ao final do ano lectivo. Provavelmente não volto para mais alguma escola nos próximos cem anos, mas isso já são informações adicionais completamente desnecessárias.
- Ui, esse vocabulário está um pouco ultrapassado, temos que trabalhar nisso, Lily – disse Brandie, rindo-se e dirigindo-se à porta. Revirei os olhos.
- Deixa o meu dialecto antiquado em paz, está certo? Gosto muito dele assim – respondi, rindo-me também, mas dirigindo-me à cama.
- Ok, ok, já nem digo nada – Brandie abriu a porta, e David já não estava lá. – David, depois tens que convencer a Lil a ter um vocabulário mais corrente! – Gritou ela, da porta. David apareceu à sua frente.
- Oh, já tentei, mas nunca resultou, meu amor – Disse ele, beijando-a de seguida. – Oh, e bom dia, Lilith – disse-me, olhando através do ombro de Brandie e sorrindo-me.
- Bom dia, David. Tenham um óptimo dia, meus caros – brinquei.
- Ok, ok. Anda embora, ela vai começar a falar caro, e depois pega-me isso, e eu não quero. Tchau aí, Lil – disse Brandie, num ápice, puxando David.
- Até depois, Lil – disse-me David.
- Até logo, Mr. e Ms. Amor. Vou descansar. Acordem-me quando chegarem – respondi a ambos.
Eles saíram, fechando a porta suavemente. Deitei-me, e comecei a vaguear o pensamento, pausando-o em Leonard. Sorri para mim mesma.
“Ah, Leo. Vou sentir saudades tuas.” Pensei. Logo de seguida, fui dominada por um sono profundo.
- Lilith, o que se passa contigo? Acorda! – Gritou Jenny, abanando-me com força.
Eu gritava, e, ao vê-la, afastei-me automaticamente do seu toque. Recordava-me perfeitamente deste sonho, mas não conseguia aguentar recordá-lo, principalmente com Jenny e Russell ali, tão próximos de mim. Tornando-me tão perigosamente vulnerável.
Esforcei-me por acalmar-me, e quando já tinha controlado a respiração, olhei para Jenny. Era impossível que ela fosse a mesma pessoa do meu sonho. Simplesmente impossível.
- Oh, desculpem – disse, lutando por lhes mostrar um sorriso, embora fosse falso. – Foi só um pesadelo; nada mais.
- Queres falar sobre isso? – Perguntou Russell, tentando ajudar-me.
- Não! – Gritei, precipitadamente. Russell e Jenny olharam-me chocados, e chegaram mesmo a dar um passo atrás.
- Desculpem, mas não quero falar disso – apressei-me a corrigir. – Perdoem-me, mas preciso estar sozinha.
- Como queiras – disse Jenny, depressa demais para parecer calma.
Sem mais demoras, ambos saíram do meu quarto.
Fiquei sentada na cama, a reflectir sobre aquele estúpido sonho.
***
Olhei à minha volta; tudo parecia normal. Então porque tinha eu a sensação que algo estava errado?
- Leonard, amor, estás aí? – Chamei, mas a minha voz ecoou pela casa, sem obter resposta alguma do meu parceiro vampiro canadiano.
Comecei a percorrer todas as divisões da casa, até estancar em frente da porta do quarto de Jenny. Porque razão eu não queria entrar? Talvez por nunca lá ter estado antes. Reflecti; não era por causa disso. Era por causa das trevas que eu sentia dentro daquele quarto. Experimentei a minha nova capacidade de auscultar pensamentos, até mesmo os ocultos, e estudei quem estava dentro do quarto. Sem me dar conta, dei um passo atrás quando vi a mente demoníaca de Jenny e Russell, mas logo entrei no quarto, quando senti os pensamentos débeis de Leonard.
Chocada, observei todo o negro quarto de Jenny, e vi Leonard, completamente magoado, entre Jenny e Russell.
- Parem! – Gritei, fazendo ambos olharem-me. Eu reconheci aquele olhar. Era o olhar que me preenchera havia algum tempo atrás, quando eu ainda nem sequer sabia sobre Leonard, ou antes mesmo de descobrir que éramos parceiros. Era aquele demónio, que me perseguia sempre que eu perdia o controlo. Agora, ele dominava o olhar de Jenny e Russell, e, inutilmente, eu queria conversar com eles sobre o que eles iam fazer.
- Hum, mais uma refeição; perfeito! – Disse a voz distorcida de Jenny; incrivelmente, ainda se parecia com a voz dela. Talvez até demasiado.
- Ficas tu com ela? – Perguntou Russell, com a sua voz. Era exactamente a mesma de quando eu o conhecera.
- Hey, hey, ninguém aqui é refeição de ninguém, portanto, deixem-no em paz.
- Senão? – Perguntaram ambos, sorrindo maleficamente.
- Não há um senão. Isto é uma ordem. JÁ! – Gritei-lhes, mas eles apenas se riram na minha cara.
Eu sentia algo a chegar, o meu ser estava a modificar-se por dentro, e então…
***
E então, Jenny acordara-me mais o seu namorado demoníaco. Eu tinha que fazer algo. Pois, só havia um pequeno problema: e se aquilo fosse apenas um sonho?
Mal fiz a pergunta a mim própria, o meu instinto tratou de avisar-me que não era apenas um sonho; era uma das minhas estúpidas visões durante o sono, que não era suposto eu ter, que só houvera descoberto agora que tinha. Ou seja, apenas num sonho, tinha feito três descobertas:
1. Eu tinha visões durante o sono, o que era estupidamente aterrorizante;
2. Leonard era um vampiro, e estava destinado a ser meu parceiro, pelo que deveria estar a sofrer neste momento por não me ter perto dele;
3. Russell era um vampiro negro, e levaria Jenniffer a transformar-se num deles, o que era algo que tornaria o meu sonho real.
Não, se eu pudesse evitá-lo.
Levantei-me abruptamente, sem ter ainda um plano definido.
Enquanto trocava de roupa, defini o meu plano: primeiro, iria procurar Brandie e David e informá-los das minhas visões, e da mais recente, principalmente; depois, procuraria Leonard, com visa a termos uma conversa calma, para depois podermos tornar-nos parceiros definitivamente (se o que eu pensasse funcionasse, obviamente; se não funcionasse, teríamos de esperar um mês); e, por último, reunir-me-ia com Brandie, David, Leo e os vampiros prateados, que, neste momento, residiam na Europa; ou seja, eu e os meus amigos iríamos viajar.
Já com o meu vestido posto, os saltos agulhas calçados, e o cabelo apanhado, desci as escadas, peguei na chave, e saí para a garagem.
Saltei para dentro do carro, e deixei que o meu instinto me levasse para o local onde David e Brandie se encontravam. Rezei a todos os deuses que conhecia para que não estivesse a interromper nada demasiado privado, e suspirei de alívio quando vi David e Brandie abraçados (e vestidos, uf!) no sofá de casa de David, a ver o filme “Cidade dos Anjos”, enquanto Brandie chorava todas as suas entranhas, e David a acariciava. Pausei o filme, enquanto me punha exactamente na frente do grande plasma onde Jenny e David assistiam ao filme.
- Lilith, como soubeste que o David morava aqui? – Perguntou Brandie, desconfiada. No entanto, David viu que algo não estava bem comigo.
- Lil, o que se passa?
Sem me mover um só milímetro, comecei a falar-lhes sobre ter visões durante o sono, e sobre este sonho em especial, e nas minhas descobertas. Até mesmo acerca de Leonard.
- E como sabes que não era apenas um sonho normal, bem, um pouco assustador, confesso, mas só um sonho? – Questionava David, pouco convencido pelo que houvera dito. Brandie, por outro lado, estava assustadíssima, e eu podia ver que ela houvera acreditado.
- Foi o meu instinto. O mesmo que me trouxe aqui. E o mesmo que neste momento me está a puxar daqui para fora, querendo levar-me a Leonard.
David assentiu, mas, antes de eu sair, perguntou-me uma última coisa:
- Quando nos encontrámos outra vez?
Sem sequer pensar sobre o que haveria dizer, as palavras saiam da minha boca.
- Amanhã de manhã; ah, e façam as malas. Vamos viajar.
Sai da casa de David e meti-me no meu confortável Mercedes, acelerando ao máximo. Travei repentinamente junto a uma praia.
- Ah, fogo, eu devo ter uma panca por encontrar amores na praia, não?! – Indignei-me, olhando o céu.
Suspirei enquanto saía do carro, e comecei a correr pela praia, na direcção que o instinto me levava.
- Leonard! – Gritava, enquanto corria.
Eu estava a correr a uma velocidade normal, mas, de súbito, comecei a correr com a minha velocidade extra vampírica, portanto, demorei apenas três segundos a chegar ao local onde Leonard se encontrava, a dormir.
Leo parecia uma pequena criança, a dormir. Com uma pequena excepção: Leonard era um verdadeiro… hum… monumento, como dizia Brandie. Ele era excepcionalmente lindo, e qualquer rapariga sairia deslumbrada do seu lado. Comigo o caso tinha sido diferente, mas, agora, eu sentia-me deslumbrada por ele. Ele parecia um verdadeiro anjo. Pena que eu tivesse que acordá-lo, senão, deitava-me a seu lado e adormecia bem junto a ele.
- Leonard, querido – chamei calmamente, sentando-me a seu lado. Ele movimentou-se um pouco, mas não acordou.
- Amor… - sussurrei ao seu ouvido.
Desta vez, Leonard acordou, e olhou-me carinhosamente, para logo a seguir a sua expressão se tornar confusa. Afastei-me do seu rosto, dando-lhe espaço para se sentar.
- Desculpa veres-me a dormir, mas esperei por ti aqui desde que saí da escola, e então, adormeci – sorriu-me.
- Esperaste? – Agora, quem estava confusa era eu.
- Sim, esperei. Pedi à Jenny que te dissesse que estaria aqui, porque precisava falar contigo… - dizia ele - mas, pelos vistos, ela não disse – acrescentou, ao ver-me de maxilar cerrado.
- Não, ela não disse, mas também não lhe dei oportunidade.
- O que se passa, Lilith? – Questionou Leonard, espantado pelo meu tom de voz.
Então, expliquei-lhe sobre o pesadelo, ou melhor, visão, que eu tivera, e dos meus planos para amanhã.
- Amanhã? Não deveriam partir hoje? – Questionou, receoso.
- Não, hoje tenho outras coisas para fazer – sorri. – Amanhã vamos os quatro no avião que partir mais cedo.
Leonard olhava-me confuso.
- Leonard, eu quero evitar a todo o custo aquilo que previ na minha visão, ok? Portanto, acho que hoje vou começar – sorri-lhe, com um sorriso enorme.
- O que podes fazer aqui, comigo, que evite aquilo que previste? – Questionou, confuso. Revirei os olhos.
Antes de chegar à praia, tinha-me lembrado da navalha de emergência que tinha no porta-luvas, e retirei-a, especialmente para este momento.
Quando peguei na navalha, Leonard sobressaltou-se, mas eu pousei a minha mão livre na dele, para o acalmar. Com a navalha já pronta, cortei o meu braço, e vi como Leo olhava sedento e curioso para ele.
- Vai em frente, meu amor. Bebe – pedi.
Leonard olhou-me, tentando disfarçar a sede.
- De certeza? É que eu não entendo… - sem o deixar terminar, levei o meu braço à sua boca, e vi-o a beber, derrotado. Enquanto ele bebia do meu braço, levei a boca ao seu pescoço, rezando para que funcionasse. Fiz as minhas presas saírem, e, sem mais demoras, abri dois furos no pescoço de Leonard, e comecei a senti-lo. Senti o prazer da troca de sangue, a necessidade que eu tinha disto, havia já trezentos anos. Deliciei-me com o seu sangue, e quando uma tontura me ameaçou, limitei-me a fechar o corte que tinha acabado por fazer no seu pescoço, e encostei a face ao seu peito.
Leonard também já havia parado, e, agora, ambos nos deitávamos sobre a areia branca. Eu estava, literalmente, em cima dele, mas isso não parecia importar-lhe. Ele sorria para o céu estrelado, enquanto eu observava tudo o que tinha perdido nesta semana, ao ignorar os sentimentos que me assomavam o espírito enquanto eu estava com Leo.
- Não que eu não tenha gostado, mas, em que é que isto ajuda a evitar a tua visão? – Questionou, obviamente satisfeito. Sorri.
- Bem, agora, já devo ser capaz de auscultar todos os pensamentos de uma pessoa, e, agora, já podemos amar-nos devidamente, não achas? – Provoquei-o.
- Hum, desse ponto de vista, já vejo no que te ajudará – disse ele, sorrindo.
- Para além disso, agora, ambos estamos mais fortes, portanto, se tivermos de acabar por lutar contra os vampiros negros, já podemos fazê-lo juntos, e mais fortes que nunca – culminei, num tom sério. Leonard suspirou.
- Li, não me apetece falar em lutas agora. Não me estragues o momento, ok? – Pediu o meu amor. Então, tive uma ideia.
- Bem, podíamos torná-lo ainda melhor, não concordas? – Sorri, provocando-o. Leo não entendeu.
- Não estou a perceber como, menina Seteara. – Sorriu-me, divertido.
- Bem, eu posso ajudar-te – sorri, enquanto começava a beijá-lo, deitada por cima dele. Ele continuava sem entender, pelo que comecei a desapertar os botões da sua camisa. Ele estacou.
- Hei, o que se passa? – Perguntei, levantando-me, receosa que ele me rejeitasse.
- Nada – respondeu-me, puxando-me novamente para cima dele, levando a minha boca de encontro à dele. Levei de novo as minhas mãos aos restantes botões da sua camisa, desapertando-os lentamente. Quando finalmente terminei, sentei-me, levando Leonard junto a mim, para lhe tirar a camisa.
A sua camisa já estava na areia ao nosso lado, e então, Leonard levou as mãos à bainha do meu vestido, e começou a puxá-lo. Deixei a boca dele por breves segundos, para que conseguisse extrair o vestido do meu corpo. Então, eu ia desabotoar as suas calças, quando ele me impediu, e o fez mais rápido do que eu achei que conseguiria, ainda por cima, com os nossos corpos colados.
Estávamos ambos em roupa interior, e Leonard estava à espera que eu passasse ao passo seguinte, mas o nervosismo atingiu-me. Petrifiquei.
- Lil, estás bem? Se não quiseres fazê-lo eu compreendo – disse-me Leo, olhando-me nos olhos.
- Leo, eu quero; mas não sei é como – admiti, envergonhada. Então, Leo sorriu-me.
- Deixa, então. Eu trato do resto – provocou, e, no segundo seguinte a ele ter falado, já eu estava com as costas contra a areia e ele se encontrava em cima de mim, beijando-me desde o pescoço, até ao meu baixo-ventre. Eu respirava rapidamente, nervosa, enquanto ele fazia todo o mesmo caminho, até à minha boca. Quando as nossas bocas se juntaram de novo, o meu nervosismo desapareceu, e eu senti que aquilo estava correcto. Então, Leonard levou as mãos ao fecho do meu sutiã, e desapertou-o lentamente, dando-me tempo para o parar, se quisesse. Mas eu não queria. O que eu mais desejava agora, era unir-me a Leonard de todas as maneiras possíveis, então, passei as mãos pelo seu escultural peito, parando mesmo na linha dos boxers, enquanto ele me tirava o sutiã, e percorria o quadril com as mãos, parando também no local onde a minha tanga começava. Larguei a sua boca, e olhei-o nos olhos, dando-lhe permissão apenas com o olhar.
Leonard tirou-me a tanga e, em sincronia, eu tirei-lhe os boxers; então, no segundo seguinte, Leo já estava dentro de mim, e as nossas bocas uniam-se novamente.
Não me recordo durante quanto tempo estivemos assim, mas, a certa altura da noite, Leonard afastou-se de mim, vestiu os boxers e chegou-me a minha lingerie, e deitou-se a meu lado, olhando-me nos olhos.
Eu não me opus, e fiquei a olhá-lo nos olhos, simultaneamente. De seguida, cheguei-me mais perto dele, e ele abraçou-me. De seguida, ambos adormecemos, felizes.
Desta vez, nenhuma visão tomou conta do meu sono. Eu estava perfeitamente feliz, dormindo abraçada ao amor da minha vida, o meu parceiro, o meu melhor amigo, a minha vida.
Ambos acordámos quando o sol nasceu, e, felizmente, ainda ninguém se encontrava na praia. Beijámo-nos docemente, e não dissemos nada por algum tempo; ficámos apenas a sorrir.
- Bom dia, meu amor eterno – disse Leonard, quebrando o silêncio com a sua voz harmoniosa e melódica, perfeita; a voz de um anjo.
- Bom dia, Leo – respondi-lhe, simplesmente, demasiado concentrada na sua voz perfeita para pensar em algo mais elaborado para responder. Ele riu-se.
- Vamos, temos de ir, antes que chegue alguém, e, para além disso, temos que ir encontrar-nos com o conselho de vampiros prateados – determinou Leonard, ainda sorrindo.
- Sim, hum, vamos – disse-lhe, suspirando.
Levantámo-nos, e vestimo-nos rapidamente.
- Amor, posso levar-te ao colo? É que sou mais rápida – pedi, fazendo um beicinho que eu sabia ser irresistível.
- Bem, sempre pensei que fosse o homem a levar a senhora, mas, como queiras – respondeu, divertido.
Peguei no meu amor, e comecei a correr. Em menos de um segundo, já ambos nos encontrávamos dentro do carro, de cintos postos, prontos para partir.
- Bem, és realmente rápida – comentou ele, enquanto eu me ria perante a sua cara curiosa.
- Eu avisei – respondi, ligando o motor, e acelerando, em direcção a casa de David.
Chegámos lá em três minutos, e David e Brandie já estavam à nossa espera, na porta, com mais nada do que a carteira de Brandie.
Partimos imediatamente, e, por sorte, partimos no avião que estava prestes a descolar.